quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Rio, carnaval e cinzas

"Esta capital - espécie de sereia falaciosa - pródiga unicamente em sonoridades traidoras para os que vêm aqui pela primeira vez.
Esta cidade continua adstrita ao mesmo dínamo de movimentação excepcional.
É a terra dos agitados e das grandes nevroses da civilização.
Nesta cidade a política e o carnaval, num sentido degradante, ocupam a atenção do público, insuficientemente culto para a verdadeira compreensão dos fins humanos
A humanidade, ao que me parece, é a mesma em todos os ângulos deste planeta vastamente infeliz.
Instintos e interesses próprios - tal é a única expressão real dos espíritos atuais.
É a bestialidade máxima fundida integralmente na ganância superlativa."

Augusto dos Anjos

Um comentário:

Penelope disse...

'e quem sabe um dia o Rio será alguma cidade submersa, os escafandristas virão explorar sua casa, seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos...'