segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

all things must pass

Sem pautas, sem pendências, sem lenço, ainda com documentos. Passaporte em dia, acho que vou viajar. Olhar as coisas por aí, respirar o ar da Irlanda e jogar cubo de gelos no mar. Ver as folhas caindo no Central Park, passar a noite de bar em bar. Acabar no Harlem, numa Jam, meio alta, alegre por nada. Esquecendo que todas as coisas, inclusive essas, vão passar.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Rio, carnaval e cinzas

"Esta capital - espécie de sereia falaciosa - pródiga unicamente em sonoridades traidoras para os que vêm aqui pela primeira vez.
Esta cidade continua adstrita ao mesmo dínamo de movimentação excepcional.
É a terra dos agitados e das grandes nevroses da civilização.
Nesta cidade a política e o carnaval, num sentido degradante, ocupam a atenção do público, insuficientemente culto para a verdadeira compreensão dos fins humanos
A humanidade, ao que me parece, é a mesma em todos os ângulos deste planeta vastamente infeliz.
Instintos e interesses próprios - tal é a única expressão real dos espíritos atuais.
É a bestialidade máxima fundida integralmente na ganância superlativa."

Augusto dos Anjos

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Lavoisier

Há algo de terrível nesta norma: nada acaba, tudo se transforma. Estava tirando os entulhos do quintal e fiquei imaginando o que fazer com eles. Vários sacos de pedra que até o lixeiro se recusa a levar. (Coloque umas latas de alumínio e elas desaparecem quase que imediatamente - preço diário na Bolsa de Metais de Londres.) Bom, não adianta jogar em qualquer lugar. Eles não vão desaparecer. Nem a cremação resolve o problema. O pó vai ficar, vai ser comido pelo sapo, vai virar batráquio ou cocô de sapo. O que me remete a uma teoria minha que eu não lembro mais, mas que parecia genial, melhor que a explicação do espiritismo, não é a alma que renasce, mas é o que vem de nossos ancestrais, no DNA, gravado, desde tempos imemoriais, desde as cavernas, já imaginou? Nós estamos aqui porque somos sobreviventes, nossos pais, avós, bisavós, sobreviventes das invasões dos bárbaros, da escravidão, da inquisição, da loucura, da idade das trevas. Então, a vida é realmente bela. Não há tempo para mágoas, águas passadas que não movem os moinhos de Cervantes. Precisamos ser grandes, gigantes, geniais, os melhores, imortais, imorais. Sempre mais. Precisamos passar esse átomo, molécula, pó para os nossos descendentes, eles precisam sobreviver, eles dependem de nós. Temos que ser fortes, os mais fortes, os sobreviventes.

Meu lide

"Como é perversa
a juventude
do meu coração
Que só entende

o que é cruel
O que é paixão
"