terça-feira, 23 de outubro de 2007

Idos de outubro

Estou de bobeira. À beira do abismo. Antes e depois da ciência. Ciente. Olhando. A beira. A margem. A beira do rio. A Brian Eno.

Cá estamos nós
À beira deste rio
Você e eu
Sob um céu que parece não parar de cair
Não pára de cair

O dia passa
Como se num oceano
À espera
Sem nunca conseguir lembrar o motivo de estar aqui
Eu me pergunto: por que viemos?

Você fala comigo
Como se estivesse à distância
E eu respondo
Com vagas idéias recolhidas de um outro tempo
De um outro tempo

domingo, 14 de outubro de 2007

Por que que a gente é assim?

No fundo eu sei que tudo que eu preciso é de uma nova dose. Qualquer coisa que me distraia, forte o suficiente para que eu esqueça que esse segundo vai passar e o próximo também. Para o bem e para o mal, vai passar. Para o bem e para o mal, o imponderável virá. E depois irá. Coisa estranha acordar todos os dias. Fingir que se está indo para algum lugar, que se está entendendo alguma coisa. Que há questões a resolver, metas a alcançar. Pra viver é preciso se distrair dos pensamentos. A vida é não pensar. Quem foi que disse isso mesmo?

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Coisas deste mundo I


Estava eu voltando do sapateiro, profundamente deprimida em meu último dia de férias, quando eis que vejo estampada no jornaleiro a solução: curso de marxismo. E é de grátis! Seus problemas se acabaram-se. Mutley, inscrevi você também...



sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Spleen de Paris

E aqui estamos. De volta. O eterno retorno. Ampulhetas malditas que não param de escoar. Paris, flaneur, primeiro mundo, alpes brancos, campos verdes, du vin, tartare, tudo para trás. O de novo batendo à porta. Me agarro nas cinzas mais escassas das esperanças. Quem sabe muda? Quem sabe eu mudo. Quem sabe, eu. Mudo. Sei lá. A culpa é do Spleen. Eu tenho mais recordações do que se tivesse mil anos...

(... uma cômoda imensa atulhada de planos
versos, cartas de amor, romances e escrituras
e grandes cachos de cabelo entre as faturas
guarda menos segredos que meu coração.
É uma pirâmide, um imenso porão
E não há túmulo que mais mortos possua
- eu sou um cemitério odiado pela lua,
onde, como remorsos, vermes atrevidos
andam sempre a incomodar meus mortos mais queridos ....)