Há algo de terrível nesta norma: nada acaba, tudo se transforma. Estava tirando os entulhos do quintal e fiquei imaginando o que fazer com eles. Vários sacos de pedra que até o lixeiro se recusa a levar. (Coloque umas latas de alumínio e elas desaparecem quase que imediatamente - preço diário na Bolsa de Metais de Londres.) Bom, não adianta jogar em qualquer lugar. Eles não vão desaparecer. Nem a cremação resolve o problema. O pó vai ficar, vai ser comido pelo sapo, vai virar batráquio ou cocô de sapo. O que me remete a uma teoria minha que eu não lembro mais, mas que parecia genial, melhor que a explicação do espiritismo, não é a alma que renasce, mas é o que vem de nossos ancestrais, no DNA, gravado, desde tempos imemoriais, desde as cavernas, já imaginou? Nós estamos aqui porque somos sobreviventes, nossos pais, avós, bisavós, sobreviventes das invasões dos bárbaros, da escravidão, da inquisição, da loucura, da idade das trevas. Então, a vida é realmente bela. Não há tempo para mágoas, águas passadas que não movem os moinhos de Cervantes. Precisamos ser grandes, gigantes, geniais, os melhores, imortais, imorais. Sempre mais. Precisamos passar esse átomo, molécula, pó para os nossos descendentes, eles precisam sobreviver, eles dependem de nós. Temos que ser fortes, os mais fortes, os sobreviventes.
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2 comentários:
férias... porque ficamos tao otimistas após esse periodo? e porque esse otimismo passa tão rápido?
Foi escrito com espumante no último dia de trabalho, mas a idéia é antiga, renascida com a descoberta tardia de Lavoisier em dezembro.Tudo passa, otimismo e pessimismo incluídos.
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