terça-feira, 25 de novembro de 2008
A conta, por favor
Ninguém me avisou que aos 35 não ia dar pra pedir a conta e começar a noite de novo noutro bar. As coisas não começam aos 35. Elas estão lá - ou não estão. E eu também não sou uma pessoa. Não sei se vocês sabem, mas jornalistas não são pessoas. Não escrevem em primeira pessoa do singular. NUNCA. Não existe eu. Também não batem palma quando alguém termina um discurso ou palestra e eles estão lá cobrindo o evento. Podem ter gostado muito, achado genial. Quer dizer, não podem, porque jornalista não acha, logo não bate palma nem vaia. E também não existe hoje, ontem ou amanhã. Quer dizer, hoje é ontem. Amanhã é hoje. E ontem... well, who cares? E os problemas se amontoam em cima da mesa, do banco de trás do carro, do armário do quartinho. Até porque problema é um negócio que não resiste a um fechamento. Porque fechamento é uma mágica segundo a qual qualquer coisa pode ser adiada, enrolada, ignorada, menos o próprio fechamento, naturalmente. E quando você vê.. são cinco para meia noite e hoje está prestes a virar anteontem.
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Um comentário:
Genial. Palmas. De verdade.
É isso mesmo, falou e disse. Na primeira pessoa, em on, exclusiva.
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